Uma inovadora teoria sobre o sexo dentro do casamento para grhasthas tem emergido, citando o Manu-samhita como autoridade. Tentando ser mais acolhedora, a teoria introduz grhasthas de “segunda classe” e “terceira classe”.

A atual posição da ISKCON sobre o assunto¹ do sexo dentro do casamento para grhasthas é uma regulação clara e aplicável a todos, “uma vez ao mês e somente para procriação”, tal como foi delineado por seu fundador acarya, Srila Prabhupada. Porém, essa nova teoria considera isso como algo idealizado e não-realista, e que promove uma culpa desfavorável para o avanço na vida espiritual. Proponentes dessa nova teoria incentivam o movimento a amadurecer, nos alertando para que não nos escondamos por detrás dos livros de Srila Prabhupada às custas da adaptação propícia dos princípios do Vaishnavismo ao tempo e circunstâncias do presente.

Onde nós encontramos Srila Prabhupada advogando que qualquer classe de grhasthas deveria se ocupar em vida sexual mais do que uma vez ao mês? Onde nós encontramos Srila Prabhupada atribuindo à vida sexual qualquer propósito que não a procriação?

Identificar aqueles se ocupando em sexo ilícito dentro do casamento como “grhasthas” é algo incompatível com o uso que Prabhupada faz desse termo. Um grhastha é um chefe de família que segue estritamente os princípios regulativos, e em especial aqueles que dizem respeito ao sexo.

Caso Srila Prabhupada tivesse desejado que aos membros de seu movimento fossem dadas mais oportunidades para sexo dentro do casamento, ele teria mencionado isso ao menos uma vez no decorrer de seus vastos ensinamentos. Mas ele não mencionou. Pelo contrário, Srila Prabhupada era rígido nesse assunto. E tampouco Sua Divina Graça deixou um assunto de tamanha importância aberto para novas alterações a serem realizadas por seus discípulos supostamente “maduros” que os “adaptariam às mudanças dos tempos”.

Essa nova teoria se preocupa com os sentimentos de culpa daqueles que não alcançam o padrão. Embora nós apreciemos o espírito por de trás de tais pensamentos, nós não podemos realizar concessões com um dos aspectos mais importantes da consciência de Krishna. Se por eu não seguir os verdadeiros padrões da consciência de Krishna para discípulos iniciados, eu sinto culpa, essa culpa é a misericórdia de Krsna para me auxiliar a retornar à posição apropriada.

Em nome de ser acadêmico, ecumênico e mente aberta, nós devemos tomar cuidado para não adulterar as ordens básicas dadas pelo nosso mestre espiritual. Chefes de família não-iniciados interessados em avançar em consciência de Krishna, mas que ao mesmo tempo sejam incapazes de conformar-se aos altos padrões dados para grhasthas dentro da ISKCON, devem ser encorajados e apropriadamente educados para que um dia sejam capazes de seguir os princípios e se tornarem qualificados para tomar iniciação. Em outras palavras, não há escopo para que devotos iniciados dentro da ISKCON transgridam os limites dados pelo seu fundador acarya.

Algumas vezes Srila Prabhupada explicou que vida sexual ilícita é a vida sexual fora do casamento. Proponentes dessa nova teoria convenientemente mal-interpretam tais afirmações para estabelecer um segundo padrão para grhasthas. Isso é, eles afirmam que existe um padrão de “só para procriação” para grhasthas de primeira classe e um padrão menor, “dentro do casamento”, para os demais grhasthas. É uma patifaria que discípulos iniciados pensem dessa maneira. Srila Prabhupada definitivamente não estabeleceu dois padrões. É o mesmo padrão explicado de uma maneira geral, para um entendimento amplo, e então explicado mais explicitamente nos momentos apropriados. Por exemplo, quando Srila Prabhupada faz a afirmação, “Nosso movimento recomenda o cantar dos santos nomes do Senhor”, um discípulo oportunista pode concluir, “Ah, Srila Prabhupada não especificou dezesseis voltas, só que nós devemos cantar os santos nomes. Então, eu prefiro essa instrução, só cantar os santos nomes: não que eu necessariamente tenha de cantar dezesseis voltas por dia”. Tal malabarismo de palavras constitui uma desobediência às ordens do mestre espiritual. O mesmo ocorre com o sexo ilícito.

Em conclusão, nós sugerimos que os devotos da ISKCON devem conduzir uma pregação dinâmica em todos os meios, incluindo a academia, grupos de jovens e outros campos, sem abrir mão de nenhum dos preciosos padrões de Srila Prabhupada.


Trechos de “Grhastha Licenses”

Sua Santidade Danavir Goswami

Texto integral disponível em: http://danavirgoswami.com/grhastha-licences/


¹: Resolução 303 do Corpo Governamental da ISKCON ( GBC ) de 2001:

“303.[PRONUNCIAMENTO] Dado que:

– Muitos devotos estão confusos acerca do que seja sexo ilícito;

– Srila Prabhupada claramente disse que ‘a pureza é a força’ e que isso advém de seguir aos quatro princípios regulativos estritamente; e

– É importante treinar apropriadamente aos novos devotos de acordo com os padrões de Srila Prabhupada e manter sua fé na necessidade de aderir a esses padrões.

Portanto, fica resolvido QUE:

O Corpo do GBC deseja esclarecer que de acordo os ensinamentos de Srila Prabhupada, a vida sexual de acordo com princípios religiosos seguida por Gaudiya Vaisnavas é para a propagação de filhos, não para nenhum outro propósito, e que a responsabilidade dos pais é tornar sua prole consciente de Kṛṣṇa. Conforme dito no Quinto Canto do Srimad-Bhagavatam, “O sexo é permitido somente para a geração de filhos, não para desfrute. Pode-se ocupar em sexo para gerar a uma criança consciente de Kṛṣṇa para o benefício da família, da sociedade e do mundo. Caso contrário, sexo é contra as regras e regulações da vida religiosa.” ( SB 5.14.9 p)

Enquanto a definição de sexo ilícito de Prabhupada é clara, também é claro que alguns devotos tem dificuldades em manter os seus votos de iniciação. O GBC reconhece isso, e sugere que ao invés de tentar ajustar a definição de Prabhupada, nós deveríamos prosseguir com o serviço devocional, e humildemente e sinceramente continuar tentando alcançar o padrão apropriado. Nesse quesito, Srila Prabhupada escreve, “No começo da consciência de Kṛṣṇa, alguém pode não cumprir completamente com as injunções do Senhor, mas porque não se é ressentido contra esse princípio e se trabalha com sinceridade sem consideração de derrota ou de desesperança, ele certamente será promovido ao estágio da pura consciência de Kṛṣṇa.” ( Bg. 3.32 p)”

Também é dito no Srimad-Bhagavatam 11.20.27-28, “Tendo despertado a fé na narração de Minhas glórias, estando aborrecido de todas as atividades materiais, sabendo que a gratificação dos sentidos conduz à miséria, mas estando incapacitado de renunciar a toda gratificação dos sentidos, Meu devoto deve permanecer feliz e Me adorar com grande fé e convicção. Mesmo embora ele algumas vezes se ocupe em gratificação dos sentidos, Meu devoto sabe que toda a gratificação dos sentidos conduz a resultados miseráveis, e ele sinceramente se arrepende de tais atividades.”

Disponível em: http://www.dandavats.com/wp-content/uploads/GBCresolutions/GBCRES01.htm

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